sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Crônica de uma estudante.

Acordei, às 6hs da manhã. Olhei o sol nascendo, agradeci a Deus por mais uma oportunidade de vida, fui para o banheiro. Tomei meu banho e me arrumei para mais um dia de muito estudo. Me alimentei com um reforçado café-da-manhã feito pela minha mãe, escovei meus dentes, peguei minha mochila e fui para escola.
À caminho do colégio, em um ônibus que usava para chegar lá todos os dias, sentou-se ao meu lado uma senhora que aparentava ter seus 80 anos. E conversou comigo. Passou a viagem toda resumindo sua vida; "Trabalho, marido e filhos" - disse ela. Contou também que como trabalhava debaixo de sol quente e de fortes chuvas, seus olhos foram vitimas de vários problemas e um deles foi a catarata. Não quis operá-los, ou melhor dizendo; Nunca teve dinheiro para isso. Entre sustentar seus filhos e se submeter a uma cirurgia, preferiu sustentar seus filhos com dedicação. E assim o fez, por 50 anos de sua vida.
Cheguei a conclusão que minhas notas baixas, minhas brigas familiares, são coisas mínimas levando em conta tudo que aquela senhora passou durante essa caminhada. Quando estava quase chegando ao meu destino me despedi dela e ela segurou minha mão dizendo: "Você é a flor da juventude da sociedade; Conserve sonhos e realize-os. Eles são sua fonte de forças para tudo. Assim como não desisto de enxergar e me aventuro saindo sozinha, você também deve e pode ousar e se aventurar, só que com algumas diferenças; Você por enquanto e espero que nunca sofrerá preconceito por ter cabelos brancos, por andar devagar , por não escutar e por não poder trabalhar mais. O seu sonho poderá virar realidade, se você acreditar nele. E você poderá, se Deus permitir, enxergar a vida não apenas com seus lindos olhos, mas com os olhos do coração."
Agradeci pela sua preocupação, carinho e palavras e desci do ônibus. Ela tem razão. Por ser o que é, por ter feito o que fez, e por simplesmente ter a delicadeza e sensibilidade que muitas pessoas não tem. Deus a colocou naquele momento perto de mim, para que eu aprendesse a valorizar a minha vida e guiá-la com mais otimismo.


Mariana Assumpção, Rio 11/02/11.